Do dia em que o Brasil proibiu apostas licenciadas, 25 de setembro, até 11 de outubro, o Blask Index (demanda de busca por marcas de iGaming) no país caiu 81%.
💡 Ponto-chave: a queda de 81% é a demanda total de busca por marcas no Brasil — não um operador só — nas duas primeiras semanas após a Medida Provisória 1.394.
A queda ficou do lado onshore. A busca por marcas com licença brasileira passou de 94,8% do mercado em 25 de setembro para 70,7% em 11 de outubro. No mesmo intervalo, a demanda offshore subiu 6%.
O relatório de outubro de 2026 da Blask, Proibição de apostas no Brasil: o que a proibição da Índia em 2025 mostra, é a medida mais próxima de para onde os jogadores vão em seguida. As páginas que ainda ranqueiam por apostas licenciadas no Brasil descrevem o roster do ano passado.
O que a medida fechou
O presidente Lula publicou a Medida Provisória 1.394 em 25 de setembro de 2026. Ela proíbe oferta, intermediação e publicidade de apostas de odds fixas, incluindo esportes e cassino online, a partir do dia da publicação. Novos depósitos pararam no mesmo dia.
Sites licenciados tiveram de ficar offline em 6 de outubro. Toda autorização federal termina em 25 de outubro, 30 dias após a publicação, sem reembolso da taxa paga pelo permit. O Congresso tem 120 dias para converter a medida em lei ou deixá-la caducar.
A Stake mostrou o quão fina era uma exceção legal. Em 8 de outubro, a 9ª Vara Cível Federal de São Paulo concedeu liminar que permitiu à Stake operar até 25 de outubro, com veto a novas promoções. A marca pediu operar até 2029 e perdeu esse pedido.
Em 9 de outubro, o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu a ordem em recurso da AGU: um licenciado não podia ficar fora de um shutdown nacional. A janela durou menos de um dia. A mesma data de 25 de outubro ainda encerra toda licença, inclusive a da Stake, salvo mudança no Congresso ou no Supremo.
Quem detinha a demanda de apostas licenciadas
Antes do decreto, o Brasil era um book licenciado com cauda longa. Dados Blask de janeiro a setembro de 2026 colocam o CEB (Competitive Earning Baseline, a receita projetada que o mercado deveria sustentar na demanda atual) do país em US$ 7,83 bi (faixa US$ 5,81 bi–US$ 13,88 bi). Marcas licenciadas detinham 96,8% dessa baseline.
498 marcas tiveram demanda mensurável de 1º de janeiro a 24 de setembro de 2026. Estar no roster oficial e ter fatia dessa busca eram coisas diferentes.
O BAP (Brand’s Accumulated Power, participação da marca na busca no geo) de 1º de janeiro a 24 de setembro mostra quão estreito era o mercado vivo. A Betano tinha mais do que as três licenciadas seguintes juntas. O top quatro somava 51,4% desse interesse; o top dez, 69,3%.

A maioria dos nomes autorizados nunca ocupou um ponto desse gráfico. A lista que ainda circula para apostas licenciadas no Brasil registrava quem podia receber depósito. Não registrava quem os jogadores buscavam.
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O que a busca fez após 25 de setembro
De 1–24 de setembro para 28 de setembro–11 de outubro, o Index diário onshore no book brasileiro caiu 85%. O Index não licenciado subiu 8% nos mesmos dias. Sua fatia na busca foi de 3,9% para 23% sobre um total bem menor.

O mesmo relatório registrou visitas a sites licenciados 74% abaixo do normal até 1º de outubro. Três meses depois que a Índia fechou sites domésticos de dinheiro real em agosto de 2025, 63% desses jogadores ainda apostavam, quase todos offshore — cerca de 21,6 milhões dos 25,2 milhões de apostadores licenciados do Brasil nessa taxa.
Na Índia, consultas com marca subestimaram o mercado remanescente: alcance doméstico caiu 73% em três meses enquanto o offshore se manteve estável, com jogadores indo para mirrors, pop-unders e links salvos. 57% dos apostadores brasileiros no painel já tinham visitado site não licenciado nos 90 dias antes de 25 de setembro.
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Marcas offshore que se moveram
Dentro da linha offshore quase plana, algumas marcas se moveram.

- A 1win mais que quadruplicou o Index diário após 25 de setembro e virou o maior nome offshore na janela pós-proibição. Tráfego do painel nesse estudo chegou a ela por domínios espelho numerados que não carregam a marca.
- A Melbet subiu 324% a partir de base menor.
- A Bingo Em Casa mais que triplicou e agora é o terceiro maior book offshore por busca pós-proibição.
- A Brabet, maior book offshore nos primeiros 24 dias de setembro, caiu 33%.
Líderes licenciados caíram juntos
Os líderes licenciados não embaralharam: caíram em bloco. Betano, Bet365, Superbet e Sportingbet perderam cada um 87–90% da demanda diária. A Blaze perdeu 64%, a queda mais branda entre as grandes licenciadas.
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O que publishers ainda ranqueiam
A Blask Affiliates ranqueia marcas pela quantidade de sites de publishers no Brasil que ainda as exibem. Essa contagem é ocupação, não mede quem os jogadores buscam. As duas listas divergiram após o shutdown.
Nomes licenciados saem de páginas de recomendação conforme operadores ficam offline e publishers atualizam. Betano e Sportingbet perderam cerca de metade das colocações em dezesseis dias. A 22bet, book offshore, manteve footprint nas duas datas. A Parimatch ganhou um site.
O lado publisher do mesmo feed ainda parece catálogo pré-proibição. Um diretório de slots caiu de 369 marcas na página em setembro para 221 após o decreto e ainda hospeda uma lista. Ocupação muda mais devagar que busca.
Por isso o Google pode continuar ranqueando páginas de apostas licenciadas no Brasil cujos nomes já não aceitam depósito.
Conclusão
O roster oficial sobreviveu ao mercado que dez marcas de fato detinham: busca onshore sumiu, busca offshore não assumiu o volume, e a 1win é o nome que se moveu.
Se 25 de outubro encerra as licenças ou o Congresso reescreve a medida, a próxima leitura são as mesmas duas linhas — Index licenciado e se o volume offshore passa a acompanhar.