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Proibição de patrocínios de apostas no Brasil: 14 dos 20 clubes da Série A perdem o patrocinador master
A proibição de patrocínios de apostas no Brasil atinge 14 dos 20 clubes da Série A. Nesses clubes, as marcas de apostas são patrocinadoras master, em contratos de aproximadamente R$ 910 milhões (cerca de US$ 180 milhões) por ano, segundo a imprensa brasileira. Desde que a Medida Provisória 1.394 baniu essas marcas, a demanda por marcas licenciadas no Brasil caiu 83% abaixo do normal até 1º de outubro, segundo o Blask Index.
O Blask Index é uma medida em tempo real do volume de demanda do mercado por marcas de iGaming em um determinado país, com base em dados de busca normalizados. Assim, a proibição retira ao mesmo tempo uma fonte de receita dos clubes e uma audiência dos patrocinadores.
O que a proibição de patrocínios de apostas coloca em risco na Série A
O dinheiro em jogo é grande e concentrado. Os patrocínios de apostas representaram 7,9% da receita dos clubes da Série A em 2025, cerca de R$ 1,14 bilhão, segundo a análise do Estadão sobre os balanços dos clubes. Para 4 clubes, a participação passou de 10%.
A audiência dos patrocinadores desabou em uma semana
O Blask Index das marcas licenciadas no Brasil estava 52% abaixo do normal no domingo, 27 de setembro, e 83% abaixo na quinta-feira, 1º de outubro. Betano, Sportingbet e Superbet caíram, cada uma, de 85% a 88%. Já as buscas por marcas offshore recuaram bem menos, de 7% a 17%.
Como resultado, a participação das marcas offshore em todas as buscas por marcas de apostas no Brasil quadruplicou, de 4% para 16%. O lado licenciado desabou, enquanto o offshore mal se mexeu.
💡 Ponto-chave: um patrocínio compra atenção, e a atenção por essas marcas desabou em uma semana.

O futebol faz lobby para manter os contratos
O material de mídia exterior e de patrocínio precisava sair até 5 de outubro, e as plataformas devem remover a publicidade de apostas até 8 de outubro. A Abert, associação das emissoras do Brasil, pediu ao Supremo Tribunal Federal em 1º de outubro que suspenda a medida. Pelo menos 26 emendas foram apresentadas no Congresso, uma delas para manter os patrocínios de camisa por 24 meses.
O presidente Lula disse duvidar de que o Congresso reverta a proibição.
O que a Índia sugere: a publicidade se move, não desaparece
A Índia proibiu a promoção de jogos com dinheiro real em agosto de 2025. O regulador de publicidade ASCI continuou sinalizando anúncios de apostas offshore em números semelhantes: 3.694 entre abril e agosto de 2025, antes da proibição, e 3.239 entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, depois dela. Muitos dos anúncios posteriores circularam em plataformas sociais.
O painel da Blask mostra de onde vieram os jogadores. Antes da proibição, os buscadores traziam 16% das visitas aos sites de apostas offshore da Índia, e as redes de anúncios e outros sites, 21%. Entre maio e setembro de 2026, a busca trouxe 8% e as redes de anúncios, 41%. A comparação completa com a Índia está em A proibição das apostas na Índia e os 63% que continuaram apostando.
Em termos simples, os jogadores deixaram de encontrar sites de apostas pelo Google e passaram a chegar por redes de publicidade.
📚 Leia mais: A proibição das apostas no Brasil elevou a busca offshore a 11,3% em cinco dias
O que muda para patrocinadores e clubes
A proibição de patrocínios de apostas no Brasil elimina os gastos das operadoras licenciadas em TV, camisas e influenciadores. Ela não alcança os canais que as operadoras offshore usam. Para os clubes, estão em risco 14 patrocínios master e cerca de R$ 910 milhões por ano. Os dados detalhados, a metodologia e as fontes estão no relatório da Blask sobre a proibição das apostas no Brasil.