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Bovada conquistou os EUA — e agora enfrenta pressão regulatória

Denis Skorobogatko
Denis Skorobogatko

Data Journalist

Bovada conquistou os EUA e se tornou, de longe, a maior marca de iGaming do mundo. No entanto, a marca começa a ceder terreno sob pressão regulatória.

O novo relatório da Blask revela que operadores offshore ainda dominam o iGaming nos EUA, apesar de anos de legalização estadual. 80% das marcas que atendem jogadores americanos e três das cinco principais por CEB (Competitive Earning Baseline, receita projetada calculada pela Blask) operam sem qualquer licença nos EUA. A maior delas é a Bovada.

A pressão dos reguladores limitou o crescimento da Bovada nos estados com regulação, porém a marca seguiu expandindo-se nos estados sem regulação. Além disso, as marcas onshore nem sempre são as que se beneficiam do recuo da Bovada.

A divisão: o que o relatório da Blask mostra

Segundo dados da Blask, o mercado de iGaming nos EUA atingiu US$ 79,8 bilhões em CEB em 2025 — de longe o maior do mundo. Operadores offshore concentraram mais de dois terços do volume total de mercado, mas as marcas licenciadas cresceram mais rápido. Em 2025, o CEB das marcas onshore subiu 20,6% em relação ao ano anterior, contra 3% entre rivais offshore.

O ganho onshore veio sobretudo de sete estados plenamente regulados — com cassino online e apostas esportivas. Por lá, operadoras domésticas responderam por cerca de 69% do CEB em média.

Já nos 24 estados com apostas esportivas legais e sem cassino online licenciado, operadores offshore ainda representavam cerca de 72% do CEB em média. Sem produtos legais de cassino, grande parte da demanda segue offshore por padrão.

Estados não regulados como Califórnia e Texas mostram quanto a oportunidade offshore ainda pesa. Juntos, geraram quase US$ 9,7 bilhões em CEB em 2025. Se fossem países isolados, a Califórnia ficaria em oitavo no mundo por CEB e o Texas em nono.

Esses dois estados são a principal fonte de receita da maior marca de iGaming do mundo — a Bovada.

A marca offshore maior do que a maioria dos países

A Bovada nasceu em dezembro de 2011, desmembrada da marca Bodog que atendia jogadores nos EUA há anos antes da pressão federal forçar uma reestruturação. Herdou a base de jogadores americanos da Bodog e cresceu a partir daí — sob licença de Curaçao.

Segundo dados da Blask, o CEB da Bovada em 2025 foi de US$ 9,25 bilhões. Isso a torna a maior marca de iGaming do mundo, à frente de qualquer mercado nacional exceto os três primeiros — EUA, Reino Unido e Canadá. Quase todo o CEB da Bovada vem dos EUA.

Os estados centrais da marca são Califórnia e Texas. Juntos, geraram um terço do CEB da Bovada nos EUA em 2025. A Bovada também liderava em demanda de usuários, medida pelo Blask Index. O BAP (Brand’s Accumulated Power, participação da marca no potencial total de mercado) da Bovada em 2025 passou de 29% na Califórnia e de 31% no Texas.

No país inteiro, o BAP da Bovada foi de 16,3%. Subiu 1,5 ponto percentual de 2024 para 2025, mesmo com pressão regulatória intensificada.

A regulação limitou a Bovada, mas não a reverteu

A partir de 2024, reguladores estaduais passaram a enviar cartas de cessar e desistir diretamente à Bovada. No início de 2025, mais de uma dúzia de estados já havia enviado cartas ou listado a Bovada como restrita.

A Bovada não parou de crescer depois disso. Em 2025, o CEB nos EUA subiu 11,6% frente a 2023. Contudo, esse crescimento ficou cada vez mais concentrado nos estados onde ainda havia espaço para operar com liberdade — só Califórnia e Texas responderam por cerca de 64% de todo o crescimento da Bovada nos EUA nesse período.

Em quase todos os estados que entraram na lista restritiva da Bovada, a participação da marca em CEB e BAP caiu em 2025 frente a 2023. Em Michigan, Pensilvânia, Connecticut e Massachusetts, marcas licenciadas como DraftKings, FanDuel e BetMGM expandiram-se à medida que a Bovada perdia força. Em outros, como Arizona, a Bovada perdeu terreno, porém parte da demanda deslocada migrou para outros operadores offshore.

Regulação e fiscalização não eliminaram a presença da Bovada nos EUA. Limitaram sobretudo a expansão e impediram que ela crescesse nos estados restritos como ainda crescia onde havia folga.

O vazio permanece

A Bovada construiu posição atendendo mercados americanos que a regulação ainda não alcançara. Junto com outras marcas offshore, ainda controla a esmagadora maioria do CEB do país. O ímpeto, porém, muda de lado — operadoras licenciadas crescem seis vezes mais rápido, e o perímetro regulatório segue em expansão.